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Todos contra os “Cabrais”: a “Maria da Fonte” e a Guerra Civil da Patuleia (1846-1847)
16.09.2026 | 56 min.Neste episódio, Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a efervescente década de 1840 em Portugal, mais concretamente sobre a polémica figura de António Bernardo da Costa Cabral. Oriundo politicamente dos clubes radicais da esquerda liberal, Costa Cabral mudou por completo de posicionamento político no final da década de 1830, tornando-se então num expoente do “cartismo”, ou seja, da defesa de um governo forte articulado com o rei e sob os auspícios da Carta Constitucional de 1826. Entre 1842 e 1846, Costa Cabral foi a principal figura política de um governo formalmente liderado pelo duque da Terceira. Dinâmico e “fazedor”, Costa Cabral tinha no entanto tendências autoritárias. O seu desprezo pelas oposições, pelo parlamento e pelos costumes, bem como o seu enriquecimento súbito, suscitaram comentários e acabaram por juntar todo o espectro político contra si, dos setembristas aos miguelistas. Em 1846, foi demitido pela Rainha na sequência da revolta popular da “Maria da Fonte”. Seguiu-se a guerra civil da “Patuleia”, que terminou após a intervenção militar da Espanha e Reino Unido. Contudo, Costa Cabral contou com o apoio da Rainha D. Maria II para voltar ao governo em 1849, mas nada seria como antes. Em finais da década de 1840, toda a classe política liberal queria conduzir Portugal ao “progresso”, mas sem os métodos de Costa Cabral. Foi o que aconteceu a partir de 1851, data do início da “Regeneração”.
See omnystudio.com/listener for privacy information.As contradições de um ” déspota iluminado”: A vida e a obra de Diogo Inácio de Pina Manique
09.09.2026 | 53 min.Nascido a 3 de outubro de 1733, Diogo Inácio de Pina Manique teve uma carreira fulgurante ocupando com eficácia e zelo, por vezes excessivo, os principais cargos administrativos da sua época. A sua ação resoluta e pragmática foi reconhecida tanto pelo Marquês de Pombal como pela rainha D. Maria I. Seria, contudo, muito pouco complacente com os que não cumpriam as suas regras. Foi o que aconteceu em 1777 quando mandou incendiar, de noite, a aldeia piscatória da Trafaria para apanhar alguns homens que tinham fugido ao recrutamento. Ficaria, por isso conhecido como “O Carrasco da Trafaria”.
Em 1780, D. Maria I nomeia-o Intendente Geral da Corte e do Reino. Mais uma vez, assumiria o cargo com extremo zelo. Com a difusão dos ideais da Revolução Francesa e sobretudo com a ascensão de Napoleão Bonaparte – que vinham colocar em causa o absolutismo real - Pina Manique vai de forma quase paranoica perseguir todos os que potencialmente tivessem simpatias pelos ventos que sopravam de França. Muitos ver-se-iam obrigados a abandonar o país por imposição do Intendente ou para para não serem incomodados pelos seus esbirros. Seria o caso do abade Correia da Serra, um dos fundadores da Academia das Ciências, e dos da poetas Marquesa de Alorna e Filinto Elísio.
Por outro lado, Diogo Inácio de Pina Manique foi um adepto do estudo científico que, com a direção do matemático José Anastácio da Cunha, fez aplicar na obra assistencial que criou em 1780, a Real Casa Pia de Lisboa. O objectivo era tirar das ruas crianças desvalidas, de ambos os sexos – que potencialmente poderiam tornar-se mendigos ou criminosos - para os alimentar e educar para que se pudessem integrar, posteriormente, na sociedade. Os alunos que se destacassem eram encaminhados para a universidade de Coimbra podendo os de medicina, mais tarde, especializar-se no estrangeiro. Os que demonstrassem talento artístico, como Vieira Portuense, Domingues Sequeira e João José de Aguiar iriam para Roma.
Defensor de um absolutismo iluminado, Pina Manique foi, aliás como o Marquês de Pombal, um homem de grandes obras e de grandes violências.
See omnystudio.com/listener for privacy information.D. Fernando II e a Condessa d’Edla, os protetores das artes e criadores do Parque da Pena
02.09.2026 | 48 min.Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram Elise Hensler (1836-1929), uma cantora de ópera de origem suíça americana com quem o rei D. Fernando II se casaria, em segundas núpcias, treze anos depois da morte da rainha D. Maria II. Fortemente contestado na sua época, o polémico casal foi, durante anos, votado a um certo ostracismo pela aristocracia portuguesa, como se depreende de uma carta de D. Fernando ao filho, o rei D. Luís: “Eu tenho pensado maduramente sobre esse assunto e acho que por ora mais acertado não irmos nós lá, por esta vez. Não é pelo público mas por causa de pessoas que não nos tem visitado por ora, e por isso alegam motivos que só em cabeças de cuco é que podem ter origem.”
Após o casamento, Elise receberia de Ernesto II, primo de D. Fernando e chefe da Casa de Coburgo, o título de Condessa d’Edla. Amante da música, das artes e da natureza, foi a companheira ideal para D. Fernando, sendo a principal responsável pela criação do magnífico Parque da Pena e da sua grande protetora até à implantação da República. Após a morte do marido continuaria a apoiar financeiramente, também, os seus protegidos: o jovem pintor Columbano e o pianista e compositor Viana da Motta. Injustamente vilipendiada na sua época, foi, e talvez por isso, uma mulher culta, activa e com voz própria. Honrando até ao fim da sua vida, em 1929, a memória do marido, soube ganhar a estima e o respeito dos que com ela privaram de perto, quer fossem criados, diplomatas, médicos, intelectuais ou mesmo membros da família real.
D. Pedro II do Brasil aceitou-a, sem reserva, como esposa do viúvo da sua irmã, sendo um dos seus mais fiéis amigos. Para o infante D. Augusto, o filho mais novo de D. Fernando, foi a mãe que ele não teve. Com a rainha D. Amélia compartilhou o amor que ambas tinham à Pena. Elise Hensler, Condessa d’Edla, morreria, em Lisboa, a 21 de maio de 1929 na véspera de completar 93 anos. Os jornais americanos noticiariam a sua morte sob o título “Only American Girl Who Ever Wed a King.”
See omnystudio.com/listener for privacy information.Cantando e rindo: A exposição do Mundo Português no contexto da propaganda no Estado Novo
26.08.2026 | 55 min.Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a Exposição do Mundo Português que, com um timing infeliz, abriria as suas portas a 23 de Junho de 1940, um dia a seguir à rendição da França, em Compiègne, à Alemanha nazi. Com a Europa mergulhada quase integralmente nas trevas, Lisboa, capital de um país neutro, festejava brilhantemente o Duplo Centenário da Independência e da Restauração.
Concebida para mostrar ao mundo e aos portugueses as glórias passadas e as conquistas do Estado Novo, a exposição – ponto alto com que se encerrariam as Comemorações - acabaria por falhar parte desse objectivo. A guerra determinaria um número de visitantes estrangeiros muito menor do que o esperado. Por essa altura, porém, o país, recebia milhares de refugiados em trânsito graças ao acto de consciência do cônsul português de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Contudo, os que chegavam tinham outras preocupações. E, apesar de a Exposição ter tido - durante os cinco meses que esteve aberta - cerca de 3 milhões de visitantes, a esmagadora maioria eram visitantes nacionais vindos de todo o país.
Coube a António Ferro a seleção dos arquitectos e artistas da exposição. O director do Secretariado de Propaganda Nacional escolheria a nata da geração modernista incluindo mesmo aqueles que, como Arlindo Vicente e Cassiano Branco, estavam visivelmente desalinhados com Estado Novo. A Exposição do Mundo Português foi fruto de um regime totalitário que a usou como trunfo propagandístico. Contudo, não deixou de ser um acontecimento absolutamente marcante no panorama cultural português.
See omnystudio.com/listener for privacy information.- Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho relembram a rainha D. Leonor, mulher de D. João II. Filha do infante D. Fernando, duque de Viseu e de Beja e de D. Beatriz - a única mulher a desempenhar o cargo de governadora da Ordem de Cristo - D. Leonor (1458-1525) foi, a todos os títulos, uma rainha fora do comum. Culta e letrada, substituiu o marido nas suas ausências e foi regente de seu irmão, o rei D. Manuel. Protetora das artes, foi mecenas de Gil Vicente, a quem encomendou inúmeros autos, financiou a realização de pintura primitiva portuguesa e encomendou, no estrangeiro, vários retábulos para os seus conventos. Para além disso apoiou a impressão de livros, nomeadamente As Viagens de Marco Polo, mas também a ourivesaria e a iluminura.
Enquanto regente, criou, em 1498, a Misericórdia de Lisboa, uma instituição de beneficência que viria a ser a base de uma futura rede de instituições similares que se espalhariam por todo o império e que ainda hoje subsiste. Frei Jerónimo de Belém chamou-lhe a rainha perfeitíssima, um epiteto inspirado no cognome de seu marido, o Príncipe Perfeito. Seria por sua influência que, após a morte do príncipe D. Afonso, D. João II designaria, a contragosto, como sucessor D. Manuel, o irmão mais novo da rainha. Talvez por isso, o rei Venturoso manteria até à morte uma profunda reverência pela irmã, consultando-a sobre assuntos da governação e acatando os seus conselhos. Apesar de ter sido, na sua época, a princesa mais rica da Europa, D. Leonor viveu sobretudo para o mundo espiritual mantendo uma conduta de vida inspirada na humildade franciscana. Depois de viúva “eclipsou-se” socialmente vivendo de forma quase monacal. Por sua vontade foi sepultada em campa rasa no convento da Madre de Deus – hoje Museu do Azulejo- que fundara em 1509.
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O A História repete-se
Um diálogo descontraído em torno da História, dos seus maiores personagens e acontecimentos. 'A História repete-se' não é uma aula, mas quer suscitar curiosidade pelo passado e construir pontes com o presente. Todas as semanas Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho partem de um ponto que pode levar a muitos outros... São assim as boas conversas.
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